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Quem sou eu? – Søren Kierkegaard (1813-1855)

Filosofia
UPDATED: maio 26, 2018

Søren Kierkegaard é um filósofo dinamarquês teólogo, poeta, crítico social, e autor religioso que é amplamente considerado o primeiro filósofo existencialista.

A questão fundamental “quem sou eu?” é estudada desde a Grécia Antiga (nos tempos de Sócrates 470-399 a.C) até os dias de hoje. Essa questão profunda, era vista por Sócrates como a função principal da filosofia; tornar o indivíduo mais feliz por meio da autoanálise e do auto conhecimento. Essa busca culminou em uma das suas mais famosas frases: “uma vida irrefletida não vale a pena ser vivida” que foi publicada por Søren Kierkegaard em 1849 na sua obra “O desespero Humano”. Para quem acompanha Provocações BR, o grande filósofo Brasileiro Mario Sergio Cortella já discorreu sobre o tema “o que sou eu”, para aqueles que não viram, podem clicar aqui.

Assim, quando desejo ser outro que não “eu” (ser um “eu” diferente) restam-me duas opções: (i) Fracassar e me desprezar por não conseguir; (ii) Tenho sucesso e abandono o meu verdadeiro “eu”. Seja qualquer uma dessas possibilidades, me desespero devido ao meu verdadeiro “eu”; e, como consequência para fugir desse desespero, é profundamente necessário aceitar quem realmente sou; isto é: o meu verdadeiro “eu”.

Portanto, ser quem se é realmente, é na verdade o contrário do desespero.

Kierkegaard diz que o grau de desespero mais baixo, e mais recorrente nos Humanos é o desespero oriundo da ignorância. Isto é, o indivíduo tem uma percepção equivocada sobre a significância do seu “eu”. Com isso, deixa de perceber a existência ou natureza do seu “eu” potencial.

No entanto, Kierkegaard acreditava que esse desespero era quase uma benção, uma vez que é praticamente inconsequente e, portanto, não estava certo se podia classificá-la como um legítimo desespero.

O verdadeiro desespero ocorre, segundo sua filosofia, quando o indivíduo tem uma maior consciência de si; a intensa consciência do “eu” ligada a uma arraigada aversão (desprezo) por esse “eu”.

Trazendo isso para a realidade, podemos utilizar como exemplo o indivíduo que fracassa em uma prova. Quando isso ocorre, o indivíduo se desespera, mas não porque perdeu algo, e sim, segundo Kierkegaard, por causa do “eu” que não conseguiu alcançar seu objetivo, tornando-se intolerável. Em suma, o indivíduo choca-se com o seu “eu” uma vez que almejava ser um “eu” diferente (alguém que tem notas boas nas provas), no entanto, agora está preso em um “eu” fracassado em desespero.

A negação do seu verdadeiro “eu” é por vezes dolorosa; é aniquilador o desespero de um Homem que quer se afastar de si, que não possui a si mesmo. Para isso, Kierkegaard propõe uma solução:

O Homem para se sentir em paz e em harmonia, deve ter a coragem de ser seu verdadeiro “eu”, em vez de desejar ser outro. “Querer ser quem se realmente é na verdade o oposto do desespero”. – Kierkegaard.

Por fim, Kierkegaard acreditava intensamente que o desespero se esvai (desaparece) quando aceitamos quem realmente somos, e paramos de negá-lo.

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