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Quão forte é o impulso à conformidade social? – Solomon Asch (1907-1996)

Citações
PUBLISHED: julho 8, 2018

 

 

O psicólogo social Solomon Asch foi responsável pela elaboração de uma experiência que desafia a nossa autoimagem e demonstra nossa tendência à conformidade. Em síntese, seu estudo demonstrou que, quando confrontadas por uma opinião dominante, a tendência das pessoas à conformidade pode ser mais forte do que o comprometimento com suas próprias noções de verdade.

 

 

Solomon publicou seus estudos em 1955 no artigo “Opiniões e a pressão social”, em que se discutia as influências sociais que formam as convicções, os julgamentos e as práticas do sujeito. A intenção de Solomon era investigar os efeitos da pressão de grupo sobre as decisões do indivíduo, e como e em que medida as atitudes individuais poderiam ser influenciadas pelas forças sociais ao redor.

 O paradigma de Asch

Para chegar às conclusões de seu estudo, Asch realizou o experimento com 123 participantes do sexo masculino, sendo eles colocados em um grupo de cinco a sete “aliados”. Esse grupo era composto por pessoas que sabiam dos verdadeiros objetivos da experiência, mas eram apresentados como participantes.

Formado esses grupos, era apresentado um cartão com desenho de uma linha, e em seguida, outro cartão que estavam desenhadas três linhas denominadas de A, B e C. Perguntava-se aos participantes qual das três linhas tinha o mesmo comprimento daquela primeira linha apresentada.

 

 

A sala era organizada de forma que o participante sempre fosse o último ou o penúltimo a se pronunciar sobre o cumprimento das linhas. Em um total de dezoito testes, os “aliados” eram instruídos a dar a resposta certa nos seis primeiros; nos outros doze testes deveriam dar respostas idênticas e incorretas.

O objetivo desse método era testar se o participante daria a mesma resposta que os aliados quando todos eles dessem a mesma – e incorreta – resposta.

O resultado do experimento foi inusitado. Quando rodeados por um grupo de pessoas que fornecia a mesma resposta errada, os participantes erravam a resposta em quase um terço (32%) das questões, e 75% responderam errado ao menos uma questão. Um dos participantes concordou com o grupo nas respostas erradas em onze das doze questões.

Por ser um teste simples e ter uma solução clara, a expectativa era de que haveria um alto nível de conformidade dos participantes. No entanto, nenhum dos participantes cedeu em todos os testes enganosos, e treze dos cinquenta participantes (26%) não obedeceram nenhuma vez ao grupo.

O resultado demonstrou que os participantes do experimento eram bastante íntegros. Aqueles que discordavam do grupo e davam resposta diferentes não sucumbiam à opinião da maioria em nenhuma das diversas tentativas; ao passo que aqueles que haviam escolhido conforme a maioria, pareciam incapazes de quebrar esse padrão.

 

 Explicações

Para entender melhor o resultado, Solomon entrevistou cada um dos participantes. Aos que tinham dado respostas erradas, alguns afirmavam que que buscaram se comportar conforme supunham ter sido o desejo do cientista para não perturbar o desenrolar da experiência. Outros achavam que estavam com algum problema de visão e não conseguiam ver o cartão de um ponto de vista favorável. Alguns poucos negaram saber que estariam a dar respostas erradas. Mais para frente alguns admitiram saber que suas respostas estavam erradas e justificaram dizendo que não queriam se destacar do grupo ou parecerem diferentes; eles queriam pertencer ao grupo de modo geral.

Conversando com os participantes que deram as respostas corretas e independentes, descobriu que eles não tinham ficado imunes à opinião alheia, mas que tinham conseguido superar a dúvida para dar uma resposta honesta daquilo que tinham visto.

Assim, após realizar diversas variações desse experimento, Solomon concluiu que o tamanho do grupo dos “aliados” tem um efeito direto sob os níveis de conformidade dos participantes.

A unanimidade nas respostas dos aliados era um fator ainda mais poderoso, isso porque exercia grande influência à inconformidade. Contudo, se uma pessoa do grupo oferecesse uma resposta alternativa à da maioria, já era o suficiente para aumentar a probabilidade de os participantes produzirem uma resposta independente e correta.

Essas evidências expuseram o poder que até uma minúscula minoria dissidente poderia ter. Por fim, Solomon descobriu que se permitisse que os participantes fornecessem suas respostas em reservado, por escrito, havia uma queda brusca na conformidade, e isso acontecia mesmo se os “aliados” continuassem a dar sua resposta em voz alta.

O contraponto e algumas reflexões

Serge Moscovici não concordava com as conclusões alcançadas por Solomon, porquanto acreditava que uma minoria ativa poderia influenciar a maioria e promover mudanças. Moscovici promoveu seus próprios experimentos para tentar demonstrar como uma minoria consistente poderia afetar a mentalidade da maioria.

Solomon reconhecia que a vida social requer certo grau de consenso, entretanto ressaltava que era mais produtiva quando os indivíduos contribuíam com suas experiências e visões independentes. O consenso não deve ser motivado por medo ou conformismo.

As conclusões de Solomon apontaram o poder e, principalmente, o perigo da influência da sociedade sobre as convicções e o comportamento individual. Se algo se torna normal para um grupo, a pressão social garante que todos irão se adaptar. O estudo de Stanley Milgram sobre obediência comprovou que pessoas são capazes de realizar atos de crueldade quando pressionadas a se adaptar.

Todavia, a maioria dos participantes do estudo de Solomon Asch, mesmo aqueles que se submeteram à pressão, afirmaram ter apreço pelo raciocínio independente, deixando Asch mais otimista em relação à humanidade.

 

Bibliografia:

O Livro da Psicologia / Tradução Clara M. Hermeto e Ana Luisa Martins. — São Paulo: Globo, 2012.

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