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O Surgimento da Filosofia

Filosofia
PUBLISHED: maio 26, 2018
  1. O SURGIMENTO DA FILOSOFIA

Para admitirmos o surgimento da filosofia é importante suscitar a passagem que se dá do mito perpassando-se pelo logos (teoria) até chegar a filosofia. Essa passagem se inicia com o conflito entre Deuses e Conceitos, que se deu mediante a evolução do pensamento, em que passou-se a questionar o porquê das coisas existirem e serem como são? tornando a mera crença de significação pelos Deuses obsoleta.

Assim surge o logos e diversas teorias para dar complementação a essa mitologia – forma obsoleta de responder aos questionamentos – em que a nova formatação de pensamentos com o logos ensejará a uma metodologia própria de investigação, reflexão e questionamento: a filosofia.

Inclusive nesse aspecto, sobre filosofia o professor Alisson Mascaro dispõe: “a filosofia ao mesmo tempo em que é uma sistematização do pensamento, é um enfrentamento do próprio pensamento e do mundo”.

  1. A FILOSOFIA DO DIREITO PRÉ – SOCRÁTICA

Antecede ao período de início da filosofia de Sócrates, em que existiram diversos filósofos pensadores, que se utilisavam da cosmologia para explicar o mundo de forma ontológica e no ramo do que imaginaram ser o direito dikaiológica.

2.1. JÔNICOS: nascimento da filosofia da filosofia da Jônia

  • Tales de Mileto: possui uma teoria em que admite que a essência de tudo é a água, uma vez que percebe que todos os seres são constituídos de água e tudo que tem vida no planeta necessita de água para sobreviver. A água é um elemento importante que explica tudo, elemento coringa.
  • Anaximandro: Contribuiu identificando pela primeira vez que a dike, a qual se entende para ele como justiça enquanto consecução da ordem natural, seria parte integrante do cosmos (mundo, sociedade). Para ele a justiça é concretizada quando  se  obedece a ordem natural das coisas, a dinâmica do próprio cosmos; ao mesmo passo que a injustiça é o rompimento da ordem natural das coisas. Ex: a morte por velhice é regida pela ordem natural das coisas, a morte causada por homicídio não é natural, portanto atenta contra a Justiça. O universo, para ele, não é somente a dinâmica entre aparecer e desaparecer, construir e desconstruir; portanto o justo, emana da dinâmica do cosmos.
  • Heráclito: é crente na teoria de que tudo se regra por um fluxo de transformações. O melhor exemplo clássico que se aplica a ele é o de que ninguém toma banho no mesmo rio duas vezes. Ele acredita que  o que faz sentido na sociedade é justamente a contradição ( sem o feio não existiria o belo), de forma que o direito, ou  a própria diké seria a harmonia existente entre a luta dos oposto, como a tensão perfeita que se busca na corda de um violão para haver harmonia.

“Heráclito é um filósofo excêntrico, que desprezava as massas e suas crendices. Em sua cosmologia, fundava no fogo a base da natureza. Por tal razão, o universo tinha por padrão a mudança. O fogo procedia a uma constante transformação de todas as coisas”. (Mascaro, 2014, p.33).

Para ele a guerra era como o direito, é luta, discórdia e tudo que acontece segundo a necessidade do logos.

Pontos-chave: transformação, ilusão do eterno, princípio de contradição entre os opostos, matéria e transformação

2.2. Pitagóricos: defendem que o ser são números

  • Pitágoras: em sua filosofia jurídica contribui assinalando que uma coisa só poderá ser justa quando constituir um equilíbrio ou correspondência matemática. Para ele o Direito é o equilíbrio perfeito entre os oposto, como em um quadrado que os lados  são todos iguais, formando um conjunto de iguais que são múltiplos de si mesmos. Aparenta-ser complicado mas o que pitágoras busca clarificar é que deve haver uma lógica e equivalência para se ter justiça.

O número era a razão de tudo e pitágoras tinha por conceito de justiça a concepção matemática. Os números justos seriam 4 e 9, por exemplo, uma vez que seriam múltiplos de si mesmos; o direito seria como esses números: é o igual ao múltiplo de si mesmo.

2.3. Eleatas:

  • Parmênides: Se mostra contrário às ideias de Heráclito, dizendo que o ser é uno, imóvel e imutável. Ele diz isso, porque acredita que o conhecimento  seria impossível se tudo  se transforma-se a todo tempo, devendo, portanto, existir uma essência nas coisas. Dessa forma, Justiça seria uma forma de preservar a essência do ser.

“A verdade aparece para Parmênides, como a razão, como aquilo que é. A opião está ligada ao mundo sensorial, relacionada àquilo que se vê, e que portanto muda. Logo de início, a perspectiva de Parmênides é diferente da de Heráclito. A mudança, para este, é a constituinte de todas as coisas. Para Parmênides, no entanto, o que é único, não se muda. Para Parmênides, a justiça, muito mais do que algo nas coisas, é uma necessidade lógica, um conceito.” (Mascaro, 2014, pg. 35, 36)

2.4. Atomistas:

  • Empédocles: é um pré-socrático que podemos dizer materialista, na proporção que admite que tudo é formado por terra, fogo, água, ar em caráter físico, e em caráter essencial por amor e ódio. Para ele a dike – justiça ou dinâmica justa seria uma dinâmica natural em que os fatos, ou materiais se combinam ou descombinam.
  • Leucipo e Demócrito: perpassam por uma ideia de materialismo determinista em que tudo obedeceria a um procedimento de elo de cadeias causais, ou seja, tudo será condicionado por uma prossecução natural das coisas. Dessa forma, as pessoas não seriam livres realmentes, pois nesse sistema seriam um dos elos fruto de um condicionamento natural. É a ideia de que a parte da existência de uma matéria as coisas são condicionados. Uma reflexão que se pode fazer com essa ideia é que o ser-humano pensa de certa forma porque a matéria que o constitui determinou que ele pensasse assim e não porque ele tem o livre-arbítrio.

Bibliografia

FERRAZ JUNIOR, Tércio Sampaio. Estudos de filosofia do direito: reflexões sobre o poder, a liberdade, a
justiça e ao direito. São Paulo: Atlas, 2009.
KELLY, John M. Uma breve história da teoria do direito ocidental. São Paulo: Martins Fontes, 2010.
MORRISON, Wayne. Filosofia do direito: dos gregos ao pós-modernismo. São Paulo: Martins Fontes, 2012.
PISSARRA, Maria Constança Peres; FABBRINI, Ricardo Nascimento (Orgs.). Direito e filosofia: a noção de
justiça na história da filosofia. São Paulo: Altas, 2007.
VILLEY, Michel. Filosofia do direito: definições e fins do direito: os meios do direito. São Paulo: Martins
Fontes, 2009.

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2 thoughts on “O Surgimento da Filosofia

  1. Neiza disse:

    Olá, só queria dizer, eu desfrutado isto blog post. Foi útil.
    Continue postando lá!

    1. Leonardo Di Gianni disse:

      Muito obrigado, Neiza! Fique atenta pois traremos várias novidades.

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